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O casal João Baptista Martins Saldanha e Maria
da Conceição Leal de Barros teve seis filhos. A menor de todas recebeu o nome de
Maria dos Prazeres mas desde pequena foi apelidada de Pepa. Ela nasceu no dia 15
de abril de 1929, na cidade de Olinda em Pernambuco. Quando tinha apenas dois
anos de idade, seus pais mudaram-se definitivamente para o Rio de Janeiro.
Deixaram no Recife alguns parentes, sua avó Julia e alguns tios.
Aos sete anos, Pepa perdeu seu pai e foi criada
por sua mãe e irmãos e sua querida babá Zoca. Nessa época, freqüentava o Colégio
Sacré Coeur de Marie.
Depois de sua Primeira Comunhão, foi transferida
para o Colégio Anglo-Americano, na Praia de Botafogo, onde estudou até terminar
o Ginásio. Todos os anos, nas férias, ia para o Recife. Férias que, na sua
memória, nunca serão esquecidas. O único inconveniente era a viagem ser de
navio, pois enjoava muito. Com o início da Segunda Guerra Mundial, as viagens
foram interrompidas por muito tempo.
Começou a namorar aos quinze anos com um rapaz
de nome Octavio Luiz, amigo de seu tio Nelson. Namoro e noivado oficial duraram
quatro anos. Finalmente se casaram no dia 15 de julho de 1948, quando Octavio já
se formara em Direito pela PUC-RJ e no instituto Rio Branco, iniciando a
carreira diplomática.
Dois anos depois, já com uma filha, Octavio foi
nomeado para a Embaixada do Brasil em Washington. Ficaram três anos e meio
naquela linda cidade e com freqüência viajavam para Nova Iorque, onde estava o
pai de Octavio, Jaquito, também diplomata, como Cônsul Geral do Brasil naquela
cidade. Foi em Washington que nasceu seu segundo filho, Luiz Octavio.
Em dezembro de 1953, foram removidos para Munique,
na Alemanha, ainda ocupada pelos Aliados. Foi lá que nasceu em junho, Maria
Júlia, infelizmente com hidrocefalia, doença ainda ignorada e congênita. A
doutora alemã recomendou que Maria Júlia deveria ser atendida na cidade de
Boston, nos Estados Unidos, onde havia maiores recursos e novos conhecimentos
sobre o assunto. Pepa e Maria Júlia, então com quatro meses, partiram via Paris
para Nova Iorque ao encontro de sua sogra. A viagem decorria muito bem naquele
magnífico avião da Air France, quando nas proximidades da chegada, começou o
drama. Estavam envoltos no tufão Edna. Com a graça de D’us, piloto conseguiu
sobrevoar mais algum tempo, descarregando a gasolina para poder aterrissar em
campo raso. Sofreram quatro choques violentos, até que o avião estancou numa
fazenda no estado de Connecticut. Exceto um senhor, todos se salvaram, alguns
com ferimentos e queimaduras.
Resumindo, foi uma longa historia que durou 44
anos de vida diplomática, em muitos postos, algumas vindas ao Brasil nas férias,
até que Octavio se aposentou, dando final a tantas idas e vindas pelos mares
afora. Foi em São Francisco na Califórnia que nasceu a quarta filha, Maria
Helena. A mais nova de todas, assim como a primeira, nasceu no Rio de Janeiro,
tendo sido escolhido o nome de Maria Inês. Atualmente Pepa vive feliz no Rio de
Janeiro, fazendo vez por outra uma viagem a Recife para visitar sua irmã,
agradecida a Deus pela família que formou e pelos nove adoráveis netos que tem.
Miriam Berenguer Nagy
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